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Da gentileza e outros advérbios de modo

Gentilmente cedido o teu sossego reages brusca à subtileza de te ter em afagos. Sabes tão bem que o conhecimento desse facto me obrigaria ao degelo, em modos breves, raiando a inércia, não te ocupando o sossego ainda agora cedido, entregue à sorte de uma navegação à vela, sem ilha que me salve do teu naufrágio. Sou gentil quando sei que gentilmente cedeste o teu sossego; é a minha tentativa de te chegar quando em ti ainda resquícios de um estado já antigo. O teu sossego. Há coisas que prezas como os seres da antiguidade, com tratos caídos em desuso, perdidos no esquecimento, mas que ressuscitas com a naturalidade de uma acção vaga. E sossegas em tal estado que no imediato somos já os seres que ninguém conhece, ou recorda, mas que nós inventamos na inércia de nos termos em imobilidade. Criamos a antiguidade a partir da estagnação porque só nela reconhecemos o milagre de uma arte imóvel, uma arte que surge da paralisação. Quando estás em sossego sinto um coro de ós e ás que te rodeiam, intangíveis, ensurdecedores, e quedo-me impassível na observação dos teus traços, adivinhando os recônditos abrigos que encerras na tua condição. E se gentilmente cedes o teu sossego eu despavoreço com a quietude que a tua cedência pediria e desencontro-me, não fosse eu um caso assumido de gentileza esquecida. E desencontradamente me fico em comedimentos nos modos breves com que assinalo a tua brusca reacção, minha querida, só porque sei, agora, que recriamos coisas que a antiguidade votou ao esquecimento.

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