Como é que temos noção do fim? De que forma nos é dado a conhecer o final de algo que entendemos ter terminado? Isto é, o final existe ou é apenas uma defesa que aplicamos a variadíssimas situações na nossa vida?
Este foi um ano com demasiados finais, um ano em que quase tudo aquilo com que contactava anunciava já a vertigem da resolução, provido que vinha de uma certa abstracção. E essa realidade, por si só, levou-me, em todas essas situações, a questionar-me sobre a alegação do fim, o momento exacto em que determinada experiência revela o seu ponto culminante.
Recordo "Ordesa", de Manuel Vilas, porque foi o livro que, tal como tem vindo a suceder todos os anos, melhor ilustra a minha vivência no decorrer do ano que agora chega ao fim (ou não fosse este um texto sobre "fins"). Nele, Vilas almejou uma espécie de prorrogação do tempo de vida dos seus pais, como se os chamasse de volta à vida, contrariando qualquer ideia de final. Segundo o autor, o objectivo de &q…
Este foi um ano com demasiados finais, um ano em que quase tudo aquilo com que contactava anunciava já a vertigem da resolução, provido que vinha de uma certa abstracção. E essa realidade, por si só, levou-me, em todas essas situações, a questionar-me sobre a alegação do fim, o momento exacto em que determinada experiência revela o seu ponto culminante.
Recordo "Ordesa", de Manuel Vilas, porque foi o livro que, tal como tem vindo a suceder todos os anos, melhor ilustra a minha vivência no decorrer do ano que agora chega ao fim (ou não fosse este um texto sobre "fins"). Nele, Vilas almejou uma espécie de prorrogação do tempo de vida dos seus pais, como se os chamasse de volta à vida, contrariando qualquer ideia de final. Segundo o autor, o objectivo de &q…